José Medeiros Marques, 83 anos

José Medeiros Marques, 83 anos. Encontrei o senhor José na feira de velharias de Leiria, a ver uma banca com muitas máquinas fotográficas analógicas. Apesar de ser reformado do Banco de Portugal, onde trabalhou 38 anos, e, para minha surpresa, está também ligado ao mundo da fotografia. Em paralelo com a sua profissão, encarregava-se do restauro de material fotográfico e de cinema. “Durante as férias da escola, quando estava com o meu pai, tive hipótese de conhecer o senhor que trabalhava no cinema de Monte Real. E aproveitei para conhecer os equipamentos e as técnicas usadas porque passava imenso tempo com ele. E aos 16 anos, consegui ter em minha casa aquilo que foi a minha primeira oficina”, conta. Revela que ao longo dos anos foi reunindo bastantes peças e equipamento que ia usando nas reparações. Mas, para José, o restauro sempre foi o que mais gostou de fazer. “Dá-me imenso prazer poder pegar numa máquina e, além de a reparar, poder restaurá-la. Ficam como novas. Actualmente, tenho cerca de 500 máquinas fotográficas e praticamente 90% das máquinas ainda funcionam”, garante José. Orgulhoso, conta que criou o seu ‘Micro Museu da Imagem’ e confidencia que a máquina mais antiga que tem é de 1912. Quando lhe pergunto se tem noção do valor que ela tem, responde: “muitas pessoas perguntam isso e sabe o que faço? Percebo que é altura de arrumar o assunto. Tudo o que tenho não tem valor (material) e, sinceramente, nem quero pensar nisso. O valor emocional não tem valor. E muitas vezes perguntam porque não dou o material para um museu e digo imediatamente que não quero. Nem quando morrer!”. Quando lhe pergunto o motivo, não hesita em responder que não quer a sua ‘pequena’ colecção entregue a um local onde “o mais certo é acabarem por meter as coisas em caixas dentro de armários”. E, em jeito de conclusão, reforça: “Eles nunca irão dar valor a essas coisas”.

Leiria, 9 Abril 2016
Rui Miguel Pedrosa


Rui Miguel Pedrosa

Retratos e histórias por Miguel A. Lopes / Rui Soares / Rui Miguel Pedrosa / João Porfírio .

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