António Martinho, 50 anos

Nascido em Lisboa disse-me que andou na escola mas que, sinceramente, nunca teve cabeça para "aquilo". "Eu sou bom para as obras e para as artes africanas, para a dança principalmente". Falou abertamente sobre toda a sua vida e disse-me que podia perguntar o que quisesse que a vida dela era "um livro aberto". Consumiu durante anos drogas pesadas. Injectou-se mas reforçou a ideia que sempre se protegeu da melhor maneira possível dizendo que as seringas por ele usadas eram sempre esterilizadas e nunca usava nada de outras pessoas. Actualmente já não consome drogas, deixou há cerca de 20 anos e a sua "força de vontade" para deixar este vício foi a garrafa de bagaço. "Bebo uma garrafa e meia de bagaço por dia e ainda cá estou, com 50 anos, vivo, se ainda me drogasse já estava de baixo da terra". Nunca trabalhou e a maneira de ganhar dinheiro é provavelmente a maneira mais caricata de o arranjar. "Usava os meus dentes para juntar dinheiro." "Como?" "Aqui o mano fazia apostas com amigos e conhecidos que conseguia levantar, por exemplo, barris de cerveja com os dentes, apostava 7 contos e ganhava sempre e era assim que ganhava dinheiro para a droga, nunca na vida roubei". O António não trabalha mas disse que ganha "25 notas de 20€" de subsidio e é com esse dinheiro que compra, por dia, duas garrafas de bagaço. Quando lhe perguntei por amores, ri-se mas diz que não há motivos para isso. "A única mulher que eu tive foi uma que engravidou e eu fui pai de duas meninas, mas só de nome... A gaja abortou, naqueles hospitais ilegais... Nunca mais a perdoei. Perdi as minhas meninas" e acaba dizendo que foi este o seu maior desgosto de vida. Acabamos a conversa com o António dizendo que o Michael Jackson e o Prince são ainda hoje os seus ídolos.

Ajuda, 26 de maio de 2016
João Porfírio



João Porfírio Fotografia

Retratos e histórias por Miguel A. Lopes / Rui Soares / Rui Miguel Pedrosa / João Porfírio .

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