Zé Seco, 74 anos

Zé Seco, 74 anos. Provavelmente o agente funerário mais conhecido de Leiria e arredores e por isso mesmo é que decidi abordá-lo. Começou a trabalhar aos 14 anos, nos mais diversos ramos. Sendo que agente funerário foi a profissão que mais o marcou. “O mais engraçado é que antes de ser agente funerário nunca fui a um funeral e só de pensar na profissão até me arrepiava”, recorda. Em 1984 decidiu abrir o seu próprio negócio com algum sacrifício. “Meti-me nesta vida sem sequer ter uma agência ou viatura funerária. Nessa altura tinha de alugar o carro”, diz sorrindo. Apenas ao fim de 5 anos é que conseguiu comprar a sua primeira viatura para não ficar dependente de outros. O negócio acabou por ir crescendo e mais tarde os filhos juntaram-se em sociedade para o ajudar. “Hoje, já são eles que trabalham. Eu ando por lá. Dizem que já trabalhei demais e que eles tratam das coisas”, admite. Reconhece que foi uma profissão que teve de aprender a gostar. “É como lhe digo. Eu nem conseguia ver um morto. Até me arrepiava todo”, afirma. Não tem qualquer problema em reconhecer que teve de adoptar algumas técnicas para que as coisas corressem bem. “Nunca na minha vida tinha imaginado que um dia iria ter esta profissão. O importante é nunca pensar no que estamos realmente a fazer. Temos de pensar em tudo menos isso. Reconheço que houve uma fase que recorria ao álcool para conseguir trabalhar. Mas isso são outros tempos e já passou”, revela. Depois de recordar alguns dos funerais que lhe foram mais complicados, abre um pouco mais o jogo dos sentimentos. “Sabe, o que dói mesmo é quando são pessoas que conheço. Que me são queridas”, diz em jeito de conclusão, num tom calmo e pensativo como se estivesse a relembrar alguns desses momentos.

Leiria, 11 Junho 2016
Rui Miguel Pedrosa


Rui Miguel Pedrosa

Retratos e histórias por Miguel A. Lopes / Rui Soares / Rui Miguel Pedrosa / João Porfírio .

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