Garcia Luzolo, 35 anos

Garcia Luzolo, 35 anos. “Sou terapeuta e atleta, nasci em Angola e estou em Portugal há 15/16 anos, os meus pais foram para o continente e vivi lá durante 7 anos e depois vim para os Açores jogar basket e cá fiquei, acho que me apaixonei pelas ilhas, gosto muito de estar cá, isto aqui é muito mais calmo, seguro, temos esta natureza linda. Estas ilhas têm uma mística que me encanta, gosto do movimento de Lisboa, mas aqui, sinto-me mais conectado, sinto-me melhor cá”, disse-me ele no inicio da nossa conversa. Continuamos a falar, desta vez sobre as suas origens, Angola, e sobre se alguma vez gostaria de lá voltar: “Não sei, nunca traço estes objectivos de voltar e ficar em algum sitio, a vida vai evoluindo e nós vamos vendo, para já não me vejo a sair daqui, mas também não tenho nenhum plano que inclua viver cá para sempre, nós não podemos saber, temos de ir vivendo aonde estamos bem, mas regressar a Angola, seria um outro processo porque já saí de lá há muitos anos, quase que tinha de me voltar a reconectar ao lugar, tenho as memórias de infância mas temos de nos habituar de novo a tudo, quase que reaprender a viver lá, por isso não sei mesmo”. Admite que criou raízes nos Açores, tendo já um filho também: “Tenho um filho já, açoriano, e acho que já criei raízes cá, e daqui para a frente, bem não sei, seja lá o que for o futuro, não vivo obcecado por isso, o momento presente é que vai definir como vamos lá chegar a este futuro, e tudo o que nos fazemos há-de ter uma repercussão daqui para a frente, temos de ter sempre umas certas balizas para o nosso futuro e a partir daí ir vivendo, mas para já estou cá e estou tão bem! Vamos lá ver”. Conversamos um pouco sobre o seu filho e as expectativas que tem: “Eu espero que ele se mantenho focado e muito honesto segundo os seus princípios. Enquanto ele é criança, nós vamos-lhe passando certos princípios, mas depois temos de criar a nossa autonomia, e espero que, seja qual o caminho que ele vai seguir, seja de acordo com os princípios que adoptar, princípios estes que permitem que ele viva em harmonia no local aonde vai viver, que seja um boa pessoa” diz ele a sorrir, para continuar: “às vezes é cliché dizer isso, mas se calhar não precisamos de muito para sermos felizes, se estivermos bem connosco próprios vamos estar bem com o resto do mundo, não tenho tudo o que gostaria de ter, mas vivo aqui e tenho gente boa à minha volta, para mim é suficiente”, rematou ele. Obrigado Garcia e boa sorte para a tua vida.

Ponta Delgada. 3 de Agosto de 2016
Rui Soares


Rui Miguel Pedrosa

Retratos e histórias por Miguel A. Lopes / Rui Soares / Rui Miguel Pedrosa / João Porfírio .

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